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segunda-feira, 14 de março de 2011

CASTRO ALVES,O POETA DA ESPERANÇA


Em 1847,nascia, na Fazenda Cabaceiras, Antonio de Castro Alves,um dos maiores poetas brasileiros.
Filho de médico,o pai mudou-se ,mais tarde,para Muritiba,cidade do Recôncavo Baiano,para que o filho aprendesse as primeiras letras.
Em 1854 a família mudou-se para Salvador e o  menino Cecéu foi matriculado no Colégio Sebrão;mas,logo foi transferido para o Ginásio Baiano,do emérito professor Abílio César Borges.
Ávido leitor dos poetas franceses,como Vitor Hugo,aos 13 anos escreve sua primeira poesia.
Indo estudar Direito no Recife,onde foi colega de Tobias Barreto,consegue publicar num jornal desta cidade,”A Destruição de Jerusalém”,provavelmente influenciado por Torquato Tasso,célebre poeta italiano.
Belo,elegante,vasta cabeleira negra,olhos pretos devoradores,o  jovem fazia sucesso entre as mulheres;até a famosa atriz Eugênia Câmara,depois sua grande paixão,declamou versos seus no Teatro Santa  Isabel.
Em 1864,porém,coisas terríveis aconteceram.Seu irmão mais velho suicidou-se e ele contraiu uma tuberculose;após a primeira hemoptise voltou à Bahia,para tratar-se.
Um ano depois volta para Recife com Fagundes Varela e declama “O Século” na abertura dos cursos jurídicos.Funda uma sociedade abolicionista.

Eugênia Câmara
Começam as viagens,Salvador,Rio de Janeiro,sempre em companhia da amada Eugênia Câmara.
Quando ele aparecia nos saraus ou na platéia dos teatros, belo e forte como um jovem herói,irrepreensivelmente vestido de negro que lhe ressaltava a palidez romântica,os homens o aplaudiam com vigor e as mulheres suspiravam,comovidas.Todos os que ouviam a sua voz melodiosa e retumbante,eram presas de fortíssima comoção e prorrompiam em brados entusiasmados.
Cursa o terceiro ano de Direito em São Paulo,na Faculdade do Largo de São Francisco.
1868 foi um ano produtivo. Escreveu e declamou “o Navio Negreiro”,foi aprovado nos exames,seu poema “Gonzaga” estreou no Teatro São José e rompeu com Eugênia.
Parece que a tragédia foi sua companheira,pois,ao sair para uma caçada, pulando para atravessar  um riacho,detonou sua própria espingarda e baleou o pé,que teve que ser amputado,sem anestesia.
A conselho médico vai  para  Curralinho;tenta a cura em Santa Isabel;melhor,volta para Salvador para o lançamento do seu livro “Espumas Flutuantes”.
Em 1871, aos 24 anos,morre o poeta maior da Literatura brasileira.Desaparecia  tão cedo a sua formosa mocidade e gênio;foi o guia e chefe dessa geração de jovens desassombrados,que lutava pelo que considerava certo e pela liberdade dos despossuídos.
Já o era no seu tempo como é agora, idolatrado pelo povo;Sofreu com a inveja e a “panelinha” literária da época,que existe e persiste até os nossos dias.Mas,a admiração anônima e espontânea dos leitores é o que interessa ao escritor porque o leva à fama e à posteridade.
Os sábios distinguem e julgam;só o povo ratifica a justiça ou o gosto dessas sentenças;a admiração popular nunca faltou a Castro Alves.
Ainda hoje me emociono até às lágrimas quando recito “Ode ao Dois de Julho” ou “Navio Negreiro”;do mesmo jeito que me emocionava nos idos  de ’60,quando na Escola Normal ou nos festejos do 2 de Julho era chamada a recitá-los,em público.

domingo, 13 de março de 2011

quinta-feira, 10 de março de 2011

JÚLIO CÉSAR,UMA TRAGÉDIA DE SHAKESPEARE


Há algum tempo troquei a folia pelo sossego.
Este ano elegi  Shakespeare como companheiro de retiro.
São tantos os bons livros que a gente quer, precisa  reler,que  não raras vezes nós mesmos nos perdemos,mesmo porque são tantos ainda não lidos que os mais antigos ficam esquecidos.
Essa tragédia, passada na Roma Antiga do século I e,envolvendo um dos mais poderosos romanos,na sua época,nos revela uma verdade inconteste; o tempo passou,mas,os seres humanos não mudaram.Até ficaram pior,pois,os valores daquela época eram mais sólidos e os conceitos de honra melhor delineados.
A estória,que faz parte da História ,trata das lutas pelo poder em Roma.
O povo romano queria fazer de César um rei. Ele recusou três vezes a coroa,mas,com uma certa relutância.A República já havia sido instalada e a elite não desejava mais reinos nem imperadores,mesmo que esse se chamasse Júlio César, o vencedor da Gália..
Enquanto César era aclamado pela plebe Cássio e  Casca,dois influentes patrícios,conspiram.Decidem pela eliminação física  de César,mas,temem a plebe e precisam contar com o apoio de Brutus,que amava César,mas,também amava Roma e não queria voltar aos velhos tempos.
Convencido pelos companheiros decide participar da conspiração.
César é assassinado ao chegar ao Senado,depois de relutar muito aparecer lá,naquele dia.
Os romanos eram muito supersticiosos e os prognósticos não eram nada favoráveis; até um adivinho tinha lhe alertado:-César,cuidado com os idos de Março...
Ao ver o corpo do grande general varado pelos punhais dos conspiradores,o jovem Marco Antonio pede para fazer a oração fúnebre,Afinal,ele era o protegido de César e o amava como um pai.
Seu pedido foi concedido,mas,ele só falaria depois que Brutus explicasse ao povo romano, a necessidade da eliminação de César.
A multidão reunida entendeu,saudou os conspiradores e,com relutância,concordou em ouvir Antonio,que,com sua magnífica oratória virou o povo a seu favor.
Os assassinos tiveram que fugir e Marco Antonio,unindo-se a Otávio e Lépido foram donos da vitória ajudados pelo espírito de César que veio cobrar a conta a Brutus.
César seria muito bem vingado!
E é no decorrer desta história que aprendemos com o grande bardo.
Assistimos ao drama de consciência dos conspiradores  sendo Brutus,o único a entrar nisso por amor a Roma e por idealismo;os outros apenas visavam o poder e seus interesses pessoais.
A fala de Brutus com a sua consciência é lapidar:
-“Então ,o grande Júlio não sangrou em nome da justiça?Quem foi o vilão que tocou-lhe o corpo e apunhalou-o se não  por justiça?Por que, se não para sustentar ladrões,iria um de nós contaminar os dedos com propinas infames e vender nossos altos cargos de largas honras por tanto vil metal quanto pudessem as suas munhecas agarrar?Eu preferiria ser um cachorro a latir para a lua que ser esse romano.”
E,assistimos ao espetáculo das multidões seguidamente enganadas pelos poderosos  e  mudando de opinião a cada minuto,sendo conduzida pelas elites apenas através das palavras ou das promessas financeiras.
Uma grande manada  ,dotada de uma força colossal,mas,acéfala, sujeita à língua de ouro dos poderosos e às suas promessas falsas.
Não é assim até hoje?
Aprendo muito com o velho Shakespeare. Por isso o visito tantas vezes.
Suas tragédias nos contam das tiranias, das lutas cegas pelo poder,da inconstância do povo,das vidas privadas,das responsabilidades públicas dos que nos governam,da paz e da guerra e ,principalmente do distanciamento entre política e moral.
Os jogos políticos de ontem são os mesmos de hoje.Os homens é 
que estão muito diferentes nas suas ações,infelizmente,para pior.


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terça-feira, 8 de março de 2011

SALVE O DIA INTERNACIONAL DA MULHER!





A DONA DO MUNDO

MULHER, MÃE, MESTRA, MAJESTOSA, MISTERIOSA, MÍSTICA, MAGNIFICA, MALTRATADA, MIRÍFICA, MELANCÓLICA, MELODIOSA, MEDIADORA, MISERICORDIOSA, MAGNETICA, MOTIVADA, MUTAVEL, MARAVILHOSA, MARAFONA, MÉDICA, MOTORISTA, MINISTRA, MECANICA, MACUMBEIRA, MISS, MODELO, MUSICISTA, MAESTRA, MADRASTA, MUSEOLOGA, MARIA VAI COM AS OUTRAS, MONJA, MULHERAÇA, MULHERZINHA, MIMOSA, MUXIBA, MUSA, MATRONA OU MOCINHA.


EM TI, MULHER, SINTETIZAS O MUNDO, POR ISSO SIGNIFICA MULHER ESTE ‘M’ TÃO PERFEITO QUE TRAZEMOS NAS MÃOS PARA QUE NUNCA SEJAMOS ESQUECIDAS.





CANTINHO DO LEITOR:


Parabéns pela mulher atuantee e de bem com a vida que vc é Miroka.bjos 
Rosely Tranjan,produtora cultural


quinta-feira, 3 de março de 2011

ANTIGOS CARNAVAIS


Eram muito gostosos os carnavais da minha infância!
Embora morássemos numa cidade do interior,Dezembro chegando,tomávamos o trem para Salvador,onde moravam meus avós maternos,e,enquanto a Maria  Fumaça vencia os trilhos com sua eterna cantilena “café com pão bolacha não”,eu antegozava os prazeres que me esperavam na Capital,principalmente.o Carnaval,para mim,a melhor de todas as festas,suplantando até o Natal.
Meu pai,festeiro como ninguém e um pé de valsa que faria inveja a Juscelino,tratava logo de alugar um carro,uma baratinha sem capota,para nos levar ao corso.Também tratava do aluguel das cadeiras na Rua Chile,ponto estratégico onde passava todos os foliões e os carros alegóricos,fazendo o Corso.Dodô e Osmar ainda não tinham inventado o Trio Elétrico,que mudou a face do carnaval da Bahia.
Minha mãe,que nunca foi festeira,mas,nos acompanhava,tratava das  minhas fantasias;uma para cada dia,o Domingo,começo da festa,a Segunda Feira Gorda da Ribeira e a Terça,fim do tríduo momesco.Sem direito a prorrogação.
Um dia eu saía de cigana, aproveitando as longas e grossas tranças que exibia na época;estamos falando dos anos quarenta e eu tinha sete anos.(1949);na segunda feira,virava odalisca,cheia de véus de gaze transparentes,que meu avô achava uma indecência;na terça,me vestia de baiana,á lá Carmem Miranda;confetes e serpentinas,não faltavam,bem como as lança-perfumes Rhodo e Rodour; sem elas para borrifar nas pessoas,(e só para isto,ninguém falava em cheirinho da loló)o carnaval perdia a graça.
Centenas de foliões mascarados,os( “caretas” )ou fantasiados ,desfilavam sua alegria,entre a Avenida Sete até a Praça da Sé.Quase não havia carnaval nos bairros.A mudança do Garcia,cheia de alegria e irreverência,temida pelos políticos,dura até hoje;já o “jegue de cueca e a jega de calçola”,da Massaranduba,bairro popular,este acabou.Bem como o Clube Carnavalesco “Rosa do Adro”,que também se foi.
Havia blocos como “os Filhos de Gandhi”,que já despontavam e o violento “Apaches do Tororó”,cujos membros invariavelmente acabavam no xilindró,para gáudio da população,que se deslocava para as portas das Delegacias,na quarta-feira de cinzas,para ver a saída dos prisioneiros  fantasiados e rir da cara de todos.
Porém, belos eram os clubes carnavalescos com a majestade dos seus carros alegóricos,cheios de mulheres bonitas e muita música,cor e alegria.Cada um,queria suplantar o outro em riqueza e pujança.Havia o “Fantoches da Euterpe”,o “Cruz Vermelha”, e o” Inocentes em Progresso” com um carro só de crianças.
A discriminação velada ainda persistia.Os negros só podiam festejar  na Baixa dos Sapateiros,Liberdade,onde nasceu o Ilê Aiyê,e na periferia.
Isto durou até 1950,quando o engenheiro mecânico Osmar Macedo e o radiotécnico Dodô Nascimento decidiram fazer o seu carnaval tocando suas músicas em cima de um Fordeco 1929,criando assim o “pau elétrico”, avô dos trios elétricos de hoje.
Texto de Miriam de Sales Oliveira
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