Seguidores

quinta-feira, 24 de maio de 2012

domingo, 20 de maio de 2012

FIAT LUX!: TEMPOS DE POLÍTICA

FIAT LUX!: TEMPOS DE POLÍTICA: fiat lux edição de maio/2012                       POLITIC@ &PUBLICID@DE Não procure a verdade na publicidade; ela,n...

domingo, 13 de maio de 2012

A MÃE E O COMPUTADOR






1-ela é up to date.
2-Ela navega com a gente,pelos caminhos do mundo.
3-Ela é desktop ou laptop.
4-Ela faz beckup para nossas birras.
5-Ela aciona o Norton,para bloquear amigos indesej[aveis.
6-Ela configura nossos desejos.
7-Ela exorcisa o SPAM.
8-Ela remove para a lixeira,todos os meus defeitos.
9-Ela pode estar no modo software ou hardware,depende da necessidade.
10-Ela é um servidor,sempre atuante e gratuito.
11-Assim como o Internet explorer lembra sua senha,ela lembra todos os seus compromissos.
12-Ela consolida nossa homepage.
13-Ela imprime nossas vitórias.
14-Ela deleta nossos êrros.
15-Ela faz download de nossas esperanças.
16-Ela não deixa de nos mandar e-mails,mesmo que ninguém se lembre da gente.


17-Como o outlook ela visualiza todas as mensagens que recebemos.
18-Ela é o link entre n´s e os outros.
19-Ao contrario dos PC's seu banco de dados está sempre ativo.
20-Ela não trava.



FELIZ "DIA DAS MÃES A TODOS OS MEUS COLEGAS E LEITORES!




terça-feira, 1 de maio de 2012

O DURO OFÍCIO DE ESCREVER



                   Sábio trabalhando no Rio de Janeiro em  1800

Sentar todos os dias diante de uma tela branca,impessoal  e tentar deixar gravado nesse espaço nosso  pensamento não é uma tarefa glamurosa, nem fácil.
Mas ,é prazeroso para quem gosta e é do ramo e não escreve por obrigação,mas,sim, por vocação;escrever sem regras nem  prazos  determinados ,deixando correrem os pensamentos,construindo frases,emendando,deletando,refazendo,ouvindo as palavras que brotam da nossa cabeça, - importante - ,pois,sem elas seria impossível escrever.O escritor não é louco,mas,ouve vozes. Ou ,por ser um pouco louco e ouvir vozes  é que escreve?
Após quase cinco anos publicando ( porque ,escrever,o faço desde adolescente), sinto que hoje faço mais emendas,tenho o cuidado de revisar os textos e modificá-los várias vezes até que fiquem   do tamanho da minha imaginação.
Gosto de escrever artigos ,crônicas,contos ,mas,nunca me aventurei na área dos romances,pois,creio,não sou romancista,nem poeta,assim, ponho-me no meu lugar,fazendo apenas o que acho que sei fazer,sem louvor,mas,com juízo.


Verdade que adoro  contar estórias,  principalmente estórias bem humoradas.Essa é minha praia,piso um terreno conhecido e elas brotam fácil,pois,nosso país é o paraíso dos humoristas e subsídios não faltam ao escritor.
Todo escritor sonha com a glória e é benéfico que seja assim;se a gente deseja uma Ferrari,deposite nela seus sonhos e um dia poderá ter um Volkswagen;mas,se começa sonhando com um fusca não terá nada; talvez,quem sabe,uma bicicleta.

Porque somos do tamanho dos nossos sonhos!Todos os autores escrevem  para a posteridade. Também, eu, embora,escreva para desassossegar,para sacudir,para fazer pensar e levar o leitor contemporâneo  a questionar- me  ou questionar-se. Não escrevo para ser amada porque prefiro  ser odiada pelo que sou do que ser amada pelo que não sou. Se algum dia, alguém perceber, que por esse mundo passou uma escritora cuja mensagem lhe agradou  ou    ajudou em alguma coisa,me sentirei recompensada.Terei deixado a minha marca.



Hermes Bernardi Jr.
Recentemente foram veiculadas na imprensa as manifestações de Fabrício Carpinejar e AGES - Associação Gaúcha de Escritores - implicando a 27a. Feira do Livro de Bento Gonçalves. A manifestação iniciou no Facebook e foi mal interpretada por muitos leitores desatentos e não leitores.

A manifestação de desagravo do escritor Marcelo Spalding, quem iniciou o debate  no Facebook, referia-se à discrepância dos valores dos autores convidados, para os quais a Coordenação da Feira havia oferecido o cachê de R$350,00 alegando que este era o cachê padrão. Para outros, vimos a saber no debate via mensagens de um pequeno grupo de autores, o valor seria de R$1.000,00 e R$800,00. Certo é que cada autor tem seu preço. Cada autor aceita ou não a sua participação como melhor lhe convier pelo valor que ele mesmo dá ao seu trabalho, muitas vezes bem longe dos afagos da mídia nacional.

O que nos saltou aos olhos foi a informação de que o valor era padrão. Não era. Eu mesmo não irei à feira por nenhum destes valores. Irei através do IEL, em agenda que me foi solicitada pelo Instituto Estadual do Livro para visita a uma escola. Só vim a saber que integraria a programação da feira através de livreiro de Caxias do Sul que me assegurou de minha ida há uma semana atrás. Liguei para a coordenação da feira e soube que, sim, eu estava agendado para o evento. Surpresa! Mais uma informação equivocada.

Logo em seguida, a mídia divulgou a carta aberta de Fabrício Carpinejar onde o autor cancelava de sua ida ao evento e esclarecia seus motivos. Ele tem mais acesso à imprensa do que nós. Era justo.

A seguir, a AGES, Associação Gaúcha de Escritores que há trinta anos criou a prática de cobrar cachês para autores no Rio Grande do Sul, prática esta, diga-se, desejada por muitos autores de outros Estados que não têm por hábito - ou ainda não se mobilizaram - cobrarem por suas participações em eventos de literatura e visitas à escolas, saiu em defesa do leitor e de nós, autores. A AGES defendeu mais investimentos em livros e atividades melhor remuneradas nas feiras. Muitos aplausos aos nossos iguais.

Não bastasse toda a repercussão de mídia que a referida Feira conseguiu – Sim, porque mídia negativa é gratuita e pode virar uma mídia positiva - agora o referido patrono desiste do cachê e a prefeitura divulga os custos discriminados das atividades que o patrono realizaria. Aproveitando o clima de união dos autores que se instaurava, mobilizando-nos contra a iniciativa da Feira de Livros de Bento Gonçalves, o rapaz posa de bom moço, inclusive dizendo em entrevista no Rio de Janeiro que isto era “briga de gaúcho”. O patrono fez do limão uma limonada e vai bebê-la junto ao prefeito em vésperas de eleição.

É preciso dizer que em nenhum momento, nós, autores de uma literatura sem territorialidade e sem fronteiras, brigamos pelos valores que o sujeito receberia. Indagávamos o porquê de um evento que tem uma história de dificuldades para sua permanência, pagar tanto à música e à distribuição gratuita de livros em detrimento da oferta de cachês tão baixos aos outros autores convidados. Este era o exato ponto sobre o qual refletíamos e questionávamos.

Pensemos, como fez o patrono, se esta não foi uma bem articulada tacada de mestre. Denegriram a imagem do Estado e, principalmente dos autores que aqui vivem, escrevem e participam há anos de eventos literários na perspectiva da qualificação do leitor e da formação de uma mercado consistente. Parece-me que estamos vivendo novamente a situação do colonizado, que precisa do colonizador trazendo seus espelhinhos para que nos enxerguemos. E parece que querem que nos vejamos feios.

Li, na mídia eletrônica, inúmeras manifestações de apoio ao patrono, pela sua exemplar atitude de renunciar aos valores. Viraram o jogo. Calaram-nos. Fazem com que nós, autores e operários reais da literatura e da qualificação do leitor, pareçamos bando de enciumados por causa de grana. Não, não estamos com ciúmes. Não temos tempo para isto. Temos muito a escrever. Estamos, como bem disse a AGES em seu comunicado, preocupados com o destino das verbas que bem poderiam ser usadas na formação de mediadores de leitura, em acervos para as bibliotecas da cidade, para mais atividades ao redor de e para a leitura ao povo bentogonçalvense, que carece de ações mais bem articuladas entre prefeitura, secretaria de cultura e de educação, assim, minúsculas, haja visto não tenham tido vergonha de divulgar que foram omissas no processo de decisão sobre a destinação dos valores. Simplesmente acataram. O que nos prova que esta é uma administração vertical, baseada em modelos mofados, em que um ordena e os outros cumprem calados. Ou seja, uma administração sem diálogo, imersa na maresia das ideias.

Prova também disto é que aos autores convidados não foi dada a possibilidade de diálogo. O prefeito não quis nos ouvir. Reuniu-se em sala fechada com o patrono e decidiram que o patrono desistiria do show e da venda de seus livros. Dois mil livros distribuídos formaria filas e muitas fotos registrariam o feito para a imprensa. Ganham a administração e o autor, que no imaginário construído pela ótica mastigada das relações humanas televisivas se renderia aos propósitos eleitoreiros, como se tivesse sido escolha do leitor por esta literatura.

O atual patrono posou para fotos, confortavelmente reclinado sobre a cadeira, com os pés sobre a mesa, sorrindo, típico de quem sabe e convive muito bem com as articulações de mídia podendo, inclusive, espreguiçar-se sobre ela. Uma afronta ao nosso trabalho. Uma afronta ao trabalho ao redor da literatura que vimos construindo juntos no Rio Grande do Sul, um campo fértil ao olhar e atitudes de natureza imperialista e colonizadora.

Nós não queremos briga, senhor patrono. Queremos respeito pelo nosso ofício e cachês adequados ao trabalho de alimentar o imaginário do leitor, este sim, o show merecedor de muito mais do que cento e sessenta mil reais, num país acostumado a bundas e peitos à venda e em exposição nas bancas de revistas.

O espetáculo foi armado em lona muito usada pelos veículos de comunicação. O prefeito e o patrono, aos quais recuso-me a citar os nomes para não lhes dar mais espaço de divulgação, agora posam de bons moços. Um, quando desiste diante das câmeras da imprensa nacional de seus valores; outro, que trata de promover suas intenções de formar pequenos futebolistas em seu município aproveitando-se da mídia que o fato desrespeitoso estava rendendo. A nós, autores, operários da palavra, sem acesso a câmeras e holofotes globais, coube a imagem forjada de vilões.

Nós, autores, não nos calamos. Nós, autores, queremos que façanhas como as praticadas pela prefeitura de Bento Gonçalves não sirvam de modelo a toda a terra. Façanhas como esta não podem ser multiplicadas, esvaziando a terra de tudo o que vimos plantando a bem do nosso leitor e de um olhar mais crítico ao viver em sociedade e trabalhar em favor dela.

Não se trata de “briga de gaúchos”, senhor patrono. Trata-se de um debate muito profícuo e maduro a respeito de qualificar leituras, a respeito da profissionalização do autor, aquele que vive de sua escrita e que construiu estrada bem pavimentada por onde o senhor agora desfila a fim de realçar toda a sua posterior generosidade. Teria sido mais digno recusar-se ao exorbitante cachê, antes. Certamente nós, autores e sociedade em geral, aplaudiríamos a sua atitude que refletiria seu apreço pela leitura e por tudo o que fazemos aqui a bem do nosso leitor e em nada afetaria a sua imagem, e não precisaríamos tentar limpar  os respingos que sua atitude provocou ao nosso ofício.

Hermes Bernardi Jr. é escritor e ilustrador de LIJ




                                           

fotos